Como a Konami trocou o melhor futebol do mundo por um cassino online.
De Winning Eleven a eFootball: entenda a trajetória da Konami no futebol virtual. Conheça os erros estratégicos que derrubaram o PES
Houve um tempo em que ligar o videogame significava uma coisa: reunir os amigos para um "corujão" de Winning Eleven. Antes do mercado ser dominado por uma única marca, existia um rei absoluto nos corações dos brasileiros. Se você viveu a era do PlayStation 2, sabe que o futebol virtual tinha nome, sobrenome e uma trilha sonora que a gente nunca esquece.
Mas como uma franquia que era sinônimo de inovação e diversão conseguiu perder a coroa de forma tão dramática? Vamos mergulhar nessa história.
O Nascimento de uma Lenda (Anos 90)
Muitos acham que tudo começou com o PES, mas a semente foi plantada em 1995. Naquela época, a Konami tinha o International Superstar Soccer, mas decidiu apostar em um novo motor 3D com a série Goal Storm (que depois viraria o lendário Winning Eleven).
O grande salto veio em 1999 com o Winning Eleven 4. Foi ali que a física da bola e a fluidez do jogo deixaram a concorrência no chinelo. E, claro, nasceu a Master Liga, o modo que transformou todo jogador casual em um manager obcecado por contratações e títulos.
A Era de Ouro e o Fenômeno Bomba Patch
Quem não se lembra de Castolo, Minanda e o time de jogadores genéricos que viraram ídolos? Entre o Winning Eleven 2000 e o PES 6, a Konami viveu seu ápice. O jogo era tão sólido que serviu de base para o maior fenômeno cultural dos games no Brasil: o Bomba Patch.
Com a música "100% atualizado", os modders brasileiros provaram que a base do PES 6 era tão perfeita que não precisávamos de um jogo novo todo ano, apenas de elencos atualizados. Nessa época, o PES não só vendia bem; ele ditava as regras do que era um simulador de futebol de verdade.
O Começo do Fim: O Erro de 2014
A rivalidade com o FIFA sempre existiu, mas a balança começou a pender pro outro lado quando a EA Sports investiu pesado no Ultimate Team. Para tentar retomar a liderança, a Konami tomou uma decisão arriscada em 2013: mudar todo o motor gráfico para a Fox Engine.
O resultado foi o PES 2014, amplamente considerado um dos piores lançamentos da história da franquia. O jogo era lento, bugado e perdeu aquela "alma" que os fãs tanto amavam. Milhares de jogadores migraram para a concorrência naquele ano, e a Konami nunca mais conseguiu recuperar totalmente esse público.
Do Rebranding ao eFootball: O Golpe de Misericórdia
Após alguns anos tentando se reencontrar (com ótimos jogos como o PES 2013 e o PES 2021), a Konami decidiu "matar" a marca PES em 2021. Surgia o eFootball, uma plataforma gratuita e focada no online.
A transição foi desastrosa. O lançamento inicial parecia um jogo inacabado, com gráficos bizarros e jogabilidade de smartphone transportada para os consoles. O foco nos modos offline, como a Master Liga e o Rumo ao Estrelato, foi deixado de lado em favor de um sistema de microtransações que muitos comparam a um cassino virtual.
O Legado que Permanece
Hoje, o eFootball é um jogo minimamente decente para partidas rápidas online, mas está longe de ser o sucessor espiritual que os fãs de Pro Evolution Soccer mereciam. O que sobrou foram as memórias de uma época em que o futebol era sobre habilidade no controle e gestão de elenco, e não sobre quem gasta mais em moedas virtuais.
Para muitos, o PES não morreu; ele vive nos mods, nos emuladores e naquele CD riscado que ainda guardamos com carinho.
